segunda-feira, 14 de março de 2016

[PRÁXIS] FISIOTERAPIA E PREVENÇÃO DE LOMBALGIA CRÔNICAS

Olá pessoal! 
A publicação de hoje é sobre o cuidado de pessoas que tem lombalgias e. principalmente, aquelas que têm maiores chances de desenvolver a forma crônica do problema. Mas antes de tudo, vamos aprender a como caracterizar as lombalgias, algo muito pertinente ao fisioterapeuta e sua capacidade de resolubilidade do problema.
Atualmente sabemos que as lombalgias é o 6º maior problema de saúde pública do mundo e que tem alta capacidade de cronicidade. Só isto já justifica o seu controle e manejo em serviços de atenção primária. Todavia, nem todas as lombalgias não são iguais e nós, fisioterapeutas, precisamos saber identificá-las para designarmos o profissional e o tratamentos corretos. 
As lombalgias são divididas em dois grupos diagnósticos: lombalgias específicas (menos de 5% dos casos) e lombalgias não-específicas (mais de 95% dos casos). Apenas estas últimas cabem sua resolução ao fisioterapeuta. Para diferenciá-las, nós devemos identificar a presença de Red Flags (febre, perda de movimentos no MMII, incontinência fecal e retenção urinária, traumas de alto impacto, entre outros), que caracterizam as lombalgias específicas que são causadas por tumor, infecção, fraturas etc. Esta devem ser devidamente referenciadas para serviços médicos, principalmente de urgência, pois podem levar a morte ou incapacidades permanentes em pouquíssimo tempo e únicos casos onde se deve solicitar exames de imagem como a ressonância magnética computadorizada.
Felizmente, a maioria das lombalgias são do tipo não-específicas (origem multifatorial), o que nos faz o principal profissional de saúde para o seu cuidado. São essas lombalgias que produzem dores crônicas nas pessoas e as levam à incapacidade funcional com ausência no trabalho e lazer. Essas lombalgias são subdivididas em três grupos diagnósticos baseado na Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF): 
  • Lombalgias Aguda com Deficiência de Mobilidade.
  • Lombalgia Aguda por Deficiência na Coordenação do Movimento.
  • Lombalgia Aguda com Dor Irradiada.
  • Lombalgia Aguda com Dor Referida para o Membro Inferior. 
  • Lombalgia Aguda Relacionada com Tendências Cognitivas e Afetivas.
  • Lombalgias Sub-Aguda por Deficiência de Mobilidade.
  • Lombalgia Sub-Aguda por Deficiência na Coordenação do Movimento
  • Lombalgia Sub-Aguda com Dor Irradiada.
  • Lombalgia Sub-Aguda com Dor Referida para o Membro Inferior. 
  • Lombalgia Sub-Aguda Relacionada com Tendências Cognitivas e Afetivas.
  • Lombalgia Crônica com Deficiência de Mobilidade.
  • Lombalgia Crônica com Deficiência na Coordenação do Movimento.
  • Lombalgia Crônica com Dor Irradiada. 
  • Lombalgia Crônica com Dor Generalizada. 

Como vocês observaram acima, temos 14 tipos diferentes de diagnóstico funcionais para as lombalgias não-específicas, as quais se distinguem principalmente pelo tempo de acometimento (aguda, subaguda ou crônica).  O risco de cronicidade da lombalgia está muito atrelado à presença de sintomas afetivos ou emocionais que facilitam a sensibilização da dor no sistema nervoso central, tornando a modulação do processo algico não apenas uma característica periférica, mas também central. Esta modulação central é que torna a dor mais permanente, algo já observado em outras morbidades musculoesqueléticas como as Disfunções Temporomandibulares (DTM). 

Com isso, fica claro a necessidade de se examinar não apenas os aspectos físicos como também comportamentais em um exame clínico para se determinar o diagnóstico funcional. O exame físico já bem conhecido por nós e não entrarei nesses detalhes, apesar da validade e confiabilidade de poucos teste ser conhecida. Por outro lado, o exame e avaliação dos aspectos afetivos do paciente (Yellow Flags) é competência recente do fisioterapeuta e acho pertinente mencionar os instrumentos psicométricos que nos auxiliam na determinação das características emocionais, são eles: Escala de Pensamentos Catastróficos sobre a Dor e o Questionário Fear, Avoidance Beliefs, todos validades para a língua portuguesa. Não se faz necessário o uso de exames de imagem em casos de lombalgia não-específicas. 
Para finalizarmos o diagnósticos e prescrevermos o melhor tratamento possível, devemos alocar os paciente em subgrupos de tratamento baseado no risco de cronicidade através de outro instrumento prognóstico conhecido como StartBack, desenvolvido na Universidade de Keele no Reino Unido, e também validado para o português. Este instrumento classifica os pacientes em baixo, médio e alto risco de cronicidade, o que facilita a alocação das prescrições terapêuticas de acordo com as necessidades dos pacientes. 
Para finalizar nossa breve conversa, os recursos terapêuticos com excelentes evidências para o manejo das lombalgias não-específicas são os seguintes: Manipulações/Mobilizações Articulares, Exercícios de Estabilização Segmentar para a Coluna e Terapia Congnitivo-Comportamental. Este último é apenas aplicado naqueles pacientes de alto risco de cronicidade. Além destes, analgésicos não-esteroidais e opióides tem bons resultados nos casos agudos e subagudos. Os melhores guidelines não recomendam a realização de procedimentos cirúrgicos, pela sua baixa custo-efetividade. 
Portanto, deve o fisioterapeuta se familiarizar com esses recursos para realizar o manejo adequado de pacientes com lombalgia não-específica.      
Assim finalizamos esse resumido comentário sobre lombalgias!

Nenhum comentário:

Postar um comentário