A postagem de hoje se direciona à praxis fisioterapêutica em atenção primária voltada para a prevenção do Acidente Vascular Encefálico (AVE) na comunidade. Lembro que ações de prevenção são aquelas direcionadas aos grupos de risco, devidamente estratificado por critérios clínicos e epidemiológicos.
Na tentativa de contra-balanciar apenas ações curativas de identificar "acamados" e reabilitá-los que na minha opinião não resolve o problema e não amenizar a sua magnitude, mesmo sendo importante.
Os créditos desta postagem são do Dr. Geronimo Bouzas, fisioterapeuta e meu orientando de graduação.
"O acidente vascular encefálico (AVE) ou conhecido comumente como derrame ou trombose é considerado uma doença neurológica ocasionada por disfunções vasculares no cérebro, podendo ser hemorrágicos ou isquêmicos. O acidente vascular encefálico isquêmico é mais comum e mórbido, ocorrendo em quase 80% das situações. Já o hemorrágico é menos comum e causa mais mortalidade.
Nos Estados Unidos, 795.000 pessoas sofrem um AVE por ano e na América Latina, a doença é a principal causa de morbidade e mortalidade, sendo o Brasil a mais alta do continente. Nas ultimas quatro décadas, houve uma diminuição de 42% na incidência de AVE em países de alta renda e um aumento nos países de renda média. Até o ano 2020, a AVE e doença arterial coronariana em conjunto deverão ser as principais causas de anos de vida perdidos.
A seguir dois vídeos mostrados respectivamente como ocorrem o acidente vascular encefálico hemorrágico e o isquêmico.
Acidente vascular encefálico hemorrágico.
Acidente vascular encefálico isquêmico.
Fatores de risco
Há vários fatores de risco que aumentam as chances de uma pessoa sofrer a doença, estes são divididos em dois grupos, fatores de risco modificáveis e não-modificáveis;
Fatores de risco modificáveis:
- Tabagismo;
- Hipertensão;
- Diabetes;
- Sedentarismo;
- Obesidade;
- Estresse excessivo;
- Outras doenças cardiovasculares.
Fatores de risco não-modificáveis
- Hereditariedade;
- Idade;
- Sexo;
- Etnia (raça).
Identificando o risco de AVE
Através de um estudo realizado na cidade norte-americana de Framimgham, os pesquisadores desenvolveram um instrumento no qual pode-se estimar a probabilidade de um indivíduo sofrer da doença pela primeira vez no próximos dez anos. O instrumento é chamado de Framimgham stroke risk profile.
O instrumento avalia alguns fatores de risco (alguns citados acima), como: idade, sexo, valores de pressão arterial sistólica, presença de hipertensão arterial, diabetes mellitus, tabagismo atual, doenças coronárias estabelecidas (angina ou insuficiência coronariana, insuficiência cardíaca congestiva, claudicação intermitente), fibrilação atrial e hipertrofia do ventrículo esquerdo dado no ecocardiograma.
Existem escores separados para o sexo feminino e masculino, os quais gerarão diferentes probabilidades.
FRAMIGHAM STROKE PROFILE TRADUZIDA PARA HOMENS
| |||||||||||
Homens
|
Pontos
| ||||||||||
0
|
+1
|
+2
|
+3
|
+4
|
+5
|
+6
|
+7
|
+8
|
+9
|
+10
| |
Idade
|
54-56
|
57-59
|
60-62
|
63-65
|
66-68
|
69-72
|
73-75
|
76-78
|
79-81
|
82-84
|
85
|
PA s/TTO
|
97-105
|
106-115
|
116-125
|
126-135
|
136-145
|
146-155
|
156-165
|
166-175
|
176-185
|
186-195
|
196-205
|
PA TTO
|
97-105
|
106 – 112
|
113-117
|
118-123
|
124-129
|
130-135
|
136-142
|
143-150
|
151-161
|
162-176
|
177-205
|
Diabetes
|
Não
|
Sim
| |||||||||
Fumante
|
Não
|
Sim
| |||||||||
DCV
|
Não
|
Sim
| |||||||||
FA
|
Não
|
Sim
| |||||||||
HVE
|
Não
|
Sim
| |||||||||
PA s/TTO= Pressão arterial sistólica sem tratamento; PA TTO= Pressão arterial sobre tratamento; DCV= Doenças cardíaca vasculares; FA= Fibrilação atrial; HVE= Hipertrofia do ventrículo esquerdo.
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
1
|
3
|
11
|
11
|
21
|
42
|
2
|
3
|
12
|
13
|
22
|
47
|
3
|
4
|
13
|
15
|
23
|
52
|
4
|
4
|
14
|
17
|
24
|
57
|
5
|
r-
|
15
|
20
|
25
|
63
|
6
|
5
|
16
|
22
|
26
|
68
|
7
|
6
|
17
|
26
|
27
|
74
|
8
|
7
|
18
|
29
|
28
|
79
|
9
|
8
|
19
|
33
|
29
|
84
|
10
|
10
|
20
|
37
|
30
|
88
|
FRAMIGHAM STROKE PROFILE TRADUZIDA PARA MULHERES
| |||||||||||
Mulheres
|
Pontos
| ||||||||||
0
|
+1
|
+2
|
+3
|
+4
|
+5
|
+6
|
+7
|
+8
|
+9
|
+10
| |
Idade
|
54-56
|
57-59
|
60-62
|
63-64
|
65-67
|
68-70
|
71-73
|
74-76
|
77-78
|
79-81
|
82-84
|
PA s/TTO
|
95-106
|
107-118
|
119-130
|
131-143
|
144-155
|
156-167
|
168-180
|
181-192
|
193-204
|
205-216
| |
PA TTO
|
95-106
|
107-113
|
114-119
|
120-125
|
126-131
|
132-139
|
148-148
|
149-160
|
161-204
|
205-216
| |
Diabetes
|
Não
|
Sim
| |||||||||
Fumante
|
Não
|
Sim
| |||||||||
DCV
|
Não
|
Sim
| |||||||||
FA
|
Não
|
Sim
| |||||||||
HVE
|
Não
|
Sim
| |||||||||
PA s/TTO= Pressão arterial sistólica sem tratamento; PA TTO= Pressão arterial sobre tratamento; DCV= Doenças cardíaca vasculares; FA= Fibrilação atrial; HVE= Hipertrofia do ventrículo esquerdo.
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
1
|
1
|
11
|
8
|
21
|
43
|
2
|
1
|
12
|
9
|
22
|
50
|
3
|
2
|
13
|
11
|
23
|
57
|
4
|
2
|
14
|
13
|
24
|
64
|
5
|
2
|
15
|
16
|
25
|
71
|
6
|
3
|
16
|
19
|
26
|
78
|
7
|
4
|
17
|
23
|
27
|
84
|
8
|
4
|
18
|
27
| ||
9
|
5
|
19
|
32
| ||
10
|
6
|
20
|
37
|
Agora vamos exemplificar para facilitar o aprendizado:
Homem, 77 anos (7 pontos), pressão sistólica de 152 mmHg (5 pontos), diabético (3 pontos), fumante (3 pontos), tem Fibrilação atrial (4 pontos), totalizando 22 pontos. Em seguida buscamos os 22 pontos na tabela que contem os escores para o sexo masculino, 22 pontos é igual a 47% de chances de sofrer um AVE em dez anos. Indivíduos que apresentam uma possibilidade superior a 10% de terem um AVE já são considerados de alto risco.
Este instrumento é ótimo para profissionais de saúde que trabalham em unidades básicas de saúde e realizam o rastreamento de pessoas com potenciais a sofrerem doenças. O problema do instrumento é que não sabemos os parâmetros adaptados para a população brasileira, por isso, fazem-se necessários mais estudos epidemiológicos para poder definir o perfil do indivíduo que sofre AVE no Brasil. Contudo, é um ótimo instrumento de rastreamento. No caderno de atenção primária sobre rastreamento, o Ministério da Saúde considera os parâmetros de Framimgham para o rastreio de risco cardiovascular.
Obrigado e espero que lhe tenha sido útil."
Em livro que será lançado em breve, mostraremos com mais detalhes como realizar esta metodologia e como seriam as ações de prevenção e manejo de prevenção secundária.
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