quarta-feira, 8 de abril de 2015

[PRAXIS] Manejo Fisioterapêutico da Osteoartrite na Atenção Primária

    O tema da postagem de hoje é sobre o manejo da osteoartrite (OA). A primeiro momento, parece não ser interessante o tema, haja visto que na academia se dá mais ênfase, dentro da reumatologia, às condições como osteoporose, artrite reumatóide e entre outras condições de saúde. Contudo, como veremos mais a frente, se trata de um problema de saúde de grande impacto na sociedade. Ou melhor, o principal do ponto de vista da reumatologia.
    Falei que se trata de um problema de grande repercussão na saúde, não foi? Mas por que afirmei isso? Estudos epidemiológicos vêm mostrando que a principal causa de atendimento clínico na atenção primária no Reino Unido, para pessoas acima de 75 anos, e a terceira entre adultos é a OA, sendo as mulheres as mais atingidas.
    Em países onde o crescimento de longevos (>80 anos) é grande, o Brasil se encontra entre eles, há uma preocupação com a OA. Este fato se deve por se tratar de uma condição de saúde que não é letal e sim incapacitante, o que produz inúmeros impactos nos sistemas de saúde, na seguridade social e economia. A OA é o principal motivo de artroplastia de joelho e quadril.   
   Já entendido como um problema importante, queria esclarecer etiológica e clinicamente o que é OA. Esta condição de saúde consiste na modificação das propriedades da cartilagem que reveste as articulações, fazendo com que não ocorra um amortecimente adequado dos impactos, principalmente nas articulações do joelho e quadril, podendo afetar outras articulações como metacarpofalangeanas, interfalangeanas dital e ATM. Isto acarreta a transmissão de carga excessiva aos osso subcondral, o qual não a suporta e deforma-se, fazendo surgir as alterações estruturais das juntas.  Veja o vídeo a seguir que evidencia o processo de degeneração da articulação


    A OA pode se gerada por predisposição genética, como aquelas que atingem as mãos, ATM e coluna cervical, ou mais comumente, por condicionantes biomecânicos e comportamentais inadequados. Esta ultima forma conhecida como OA secundária tem alto potencial de prevenção e deve ser foco de planejamento e atuação do fisioterapeuta que trabalha em nível primário.
   Já existem fortes evidências que sustentam uma atenção a indivíduos com OA em nível primário. Um cuidado longitudinal, baseado no rastreamento de pessoas com fatores de risco para minimização específica de danos pré-clínicos e, consequentemente, a prevenção. A aplicação da gestão da condição de saúde a partir do autocuidado apoiado e de cuidado profissional quando necessário faz do fisioterapeuta um profissional de saúde de primeiro contato nesse tipo de morbidade. Terapias físicas e comportamentais estão dentro do espectro de prescrição de primeira escolha e estão no rol de atividades do fisioterapeuta que mediante um diagnóstico funcional padronizado através da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) consegue prescrever coerentemente ações para as deficiências estruturais, funcionais, de atividade e participação e para fatores ambientais.
Assista a apresentação a seguir e veja de forma concisa as evidências epidemiológicas, clínicas, diagnósticas e os melhores recursos terapêuticas para a OA sempre baseado nas melhores evidência. Lembrem-se prática clínica não é lugar para testar novas formas terapêuticas. Faltamos com a ética ao realizar testes sem o consentimento do paciente ou a certeza da segurança do procedimento.



Espero ter ajudado àqueles que desejam utilizar uma abordagem de atenção primária seja em serviços públicos ou privados.

Até a próxima!




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