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quarta-feira, 24 de abril de 2019
LANÇAMENTO DO LIVRO FISIOTERAPIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
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sexta-feira, 12 de junho de 2015
[EVIDÊNCIAS] Como Reduzir a Possibilidade de Diabetes Gestacional?
Olá pessoal!
A Fisioterapia tem um grande destaque no cuidado das gestantes. Todavia, ela parece está mais restrita ao ambiente ambulatorial do que nos outros níveis, por conta da cultura profissional ou falta de perspectiva na atenção primária (APS) ou em maternidades. Na APS, as ações são voltadas para o controle de doenças sexualmente transmissíveis e infecciosas nessa população, deixando de lado o cuidado com a condição musculoesquelética e cardiovascular. Assim, é grande o número de mulheres com diagnóstico clínico de diabetes gestacional e pré-eclâmpsia, onde a primeira tem grande potencial de permanecer após a gravidez e também ser grande fator de risco para o desenvolvimento de obesidade nos filhos.
Em recente revisão sistemática com metanálise de estudos randomizados, publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology, intitulada "Moderate Exercise Reduces Risk for Gestational Diabetes" foi revelado que exercício moderado durante a gravidez pode diminuir o risco de diabetes gestacional em 31% e também pode reduzir o ganho de peso materno. Segundo os autores:"O exercício não é algo a ser temido durante a gravidez. Níveis moderados de exercício utilizado nestes estudos teve efeitos significativamente positivos na saúde e foram seguro para a mãe e o bebê",
A diabetes gestacional, uma complicação comum durante a gravidez, está ligada a problemas mais graves, tais como pré-eclampsia, hipertensão, nascimento prematuro, maiores taxas de parto por cesariana, e diabetes do tipo 2 na mãe mais tarde. Crianças nascidas de mulheres com diabetes gestacional também têm um risco maior de desenvolver diabetes tipo 2 e obesidade mais tarde na vida.
Ganho de peso excessivo durante a gravidez oferece risco à saúde. Mulheres com excesso de peso também podem ter dificuldade em perder peso após a gravidez, aumentando o risco para a obesidade. Equivocadamente, a sabedoria tradicional declarou que as mulheres devem reduzir sua atividade física, ou deixar de exercer por completo, durante a gravidez. Pesquisas recentes, no entanto, sugeriram que o exercício durante a gravidez pode melhorar os resultados na mãe e na criança. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas atualmente recomenda que as mulheres grávidas envolvam-se em exercício moderado pelo menos 30 minutos por dia na maioria dos dias da semana. Porém, estudos anteriores tinham conflito se o exercício durante a gravidez podia reduzir diabetes gestacional e melhorar o ganho de peso materno.
Para a meta-análise, os autores pesquisaram seis bases de dados científicos para estudos randomizados controlados publicados em Inglês ou Espanhol entre janeiro de 1990 e maio de 2014. Os estudos incluídos avaliaram programas de exercícios para mulheres grávidas saudáveis que eram sedentários ou tinham níveis baixos de exercício no início do estudos. Os programas de exercícios variou muito em tipo, frequência durante uma semana, e duração total. Alguns programas iniciados no segundo trimestre, enquanto outros duraram toda a gravidez. A análise incluiu 13 estudos randomizados controlados, abrangendo 2.873 mulheres grávidas. Os resultados mostraram que as mulheres grávidas que se envolveram em programas de exercício diminuíram seu risco de diabetes gestacional em 31% (risco relativo [RR], 0,69; 95% intervalo de confiança [IC], 0,52-0,91; p= 0,009). Mulheres que se exercitaram durante a sua gravidez inteira fez ainda melhor, com 36% de diminuição de risco para diabetes gestacional (RR, 0,64; IC 95%, 0,36-0,98; P = 0,038). Engajar-se em exercícios combinados, como tonificação, fortalecimento, flexibilidade e exercícios aeróbicos reduzido o risco de diabetes gestacional em 31% (RR, 0,69; IC 95%, 0,48-0,99; P = 0,043).
Além disso, as mulheres que se exercitaram durante a gravidez ganharam cerca de 1 kg a menos do que aqueles que não o fizeram (peso diferenças médias [WMD], -1,14 kg; IC 95%, -1,50 para -0,78; P <0,001). Não houve diferença significativa em termos de ganho de peso reduzido entre o exercício durante a gravidez contra partir do segundo trimestre em (WMD, -1,16 kg [IC 95%, -1,47 para -0,85; P <0,001]; WMD, -1,03 kg [ 95% IC, -1,48 a -0,59; P <0,001], respectivamente). Mulheres que se exercitaram durante a gravidez não sentiram quaisquer efeitos adversos relacionados ao exercício.
Os autores ainda afirmam: "Nosso estudo tem importantes implicações clínicas e de saúde pública, porque fornece apoio para a recomendação as mães a participar em programas de atividade física como uma estratégia eficaz e segura para experimentar uma gravidez saudável". Ainda continuam: "Elas terão menos risco de diabetes gestacional e vão evitar o ganho de peso excessivo. Como conseqüência, melhorar o estado de saúde de seus filhos."
Adaptado do Medscape, 04 de junho de 2015.
Mais uma justificativa baseada em evidência para a prática fisioterapêutica na atenção primária. Somos um profissão com conhecimentos de clínica obstétrica, exame clínico e funcional e prescrição de terapia física para prevenção e reabilitação.
Até a próxima!
domingo, 17 de maio de 2015
ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO: AGIR APENAS QUANDO O PROBLEMA ACONTECER?
Olá amigos fisioterapeutas!
A postagem de hoje se direciona à praxis fisioterapêutica em atenção primária voltada para a prevenção do Acidente Vascular Encefálico (AVE) na comunidade. Lembro que ações de prevenção são aquelas direcionadas aos grupos de risco, devidamente estratificado por critérios clínicos e epidemiológicos.
Na tentativa de contra-balanciar apenas ações curativas de identificar "acamados" e reabilitá-los que na minha opinião não resolve o problema e não amenizar a sua magnitude, mesmo sendo importante.
Os créditos desta postagem são do Dr. Geronimo Bouzas, fisioterapeuta e meu orientando de graduação.
"O acidente vascular encefálico (AVE) ou conhecido comumente como derrame ou trombose é considerado uma doença neurológica ocasionada por disfunções vasculares no cérebro, podendo ser hemorrágicos ou isquêmicos. O acidente vascular encefálico isquêmico é mais comum e mórbido, ocorrendo em quase 80% das situações. Já o hemorrágico é menos comum e causa mais mortalidade.
Nos Estados Unidos, 795.000 pessoas sofrem um AVE por ano e na América Latina, a doença é a principal causa de morbidade e mortalidade, sendo o Brasil a mais alta do continente. Nas ultimas quatro décadas, houve uma diminuição de 42% na incidência de AVE em países de alta renda e um aumento nos países de renda média. Até o ano 2020, a AVE e doença arterial coronariana em conjunto deverão ser as principais causas de anos de vida perdidos.
A seguir dois vídeos mostrados respectivamente como ocorrem o acidente vascular encefálico hemorrágico e o isquêmico.
Acidente vascular encefálico hemorrágico.
Acidente vascular encefálico isquêmico.
Fatores de risco
Há vários fatores de risco que aumentam as chances de uma pessoa sofrer a doença, estes são divididos em dois grupos, fatores de risco modificáveis e não-modificáveis;
Fatores de risco modificáveis:
- Tabagismo;
- Hipertensão;
- Diabetes;
- Sedentarismo;
- Obesidade;
- Estresse excessivo;
- Outras doenças cardiovasculares.
Fatores de risco não-modificáveis
- Hereditariedade;
- Idade;
- Sexo;
- Etnia (raça).
Identificando o risco de AVE
Através de um estudo realizado na cidade norte-americana de Framimgham, os pesquisadores desenvolveram um instrumento no qual pode-se estimar a probabilidade de um indivíduo sofrer da doença pela primeira vez no próximos dez anos. O instrumento é chamado de Framimgham stroke risk profile.
O instrumento avalia alguns fatores de risco (alguns citados acima), como: idade, sexo, valores de pressão arterial sistólica, presença de hipertensão arterial, diabetes mellitus, tabagismo atual, doenças coronárias estabelecidas (angina ou insuficiência coronariana, insuficiência cardíaca congestiva, claudicação intermitente), fibrilação atrial e hipertrofia do ventrículo esquerdo dado no ecocardiograma.
Existem escores separados para o sexo feminino e masculino, os quais gerarão diferentes probabilidades.
FRAMIGHAM STROKE PROFILE TRADUZIDA PARA HOMENS
| |||||||||||
Homens
|
Pontos
| ||||||||||
0
|
+1
|
+2
|
+3
|
+4
|
+5
|
+6
|
+7
|
+8
|
+9
|
+10
| |
Idade
|
54-56
|
57-59
|
60-62
|
63-65
|
66-68
|
69-72
|
73-75
|
76-78
|
79-81
|
82-84
|
85
|
PA s/TTO
|
97-105
|
106-115
|
116-125
|
126-135
|
136-145
|
146-155
|
156-165
|
166-175
|
176-185
|
186-195
|
196-205
|
PA TTO
|
97-105
|
106 – 112
|
113-117
|
118-123
|
124-129
|
130-135
|
136-142
|
143-150
|
151-161
|
162-176
|
177-205
|
Diabetes
|
Não
|
Sim
| |||||||||
Fumante
|
Não
|
Sim
| |||||||||
DCV
|
Não
|
Sim
| |||||||||
FA
|
Não
|
Sim
| |||||||||
HVE
|
Não
|
Sim
| |||||||||
PA s/TTO= Pressão arterial sistólica sem tratamento; PA TTO= Pressão arterial sobre tratamento; DCV= Doenças cardíaca vasculares; FA= Fibrilação atrial; HVE= Hipertrofia do ventrículo esquerdo.
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
1
|
3
|
11
|
11
|
21
|
42
|
2
|
3
|
12
|
13
|
22
|
47
|
3
|
4
|
13
|
15
|
23
|
52
|
4
|
4
|
14
|
17
|
24
|
57
|
5
|
r-
|
15
|
20
|
25
|
63
|
6
|
5
|
16
|
22
|
26
|
68
|
7
|
6
|
17
|
26
|
27
|
74
|
8
|
7
|
18
|
29
|
28
|
79
|
9
|
8
|
19
|
33
|
29
|
84
|
10
|
10
|
20
|
37
|
30
|
88
|
FRAMIGHAM STROKE PROFILE TRADUZIDA PARA MULHERES
| |||||||||||
Mulheres
|
Pontos
| ||||||||||
0
|
+1
|
+2
|
+3
|
+4
|
+5
|
+6
|
+7
|
+8
|
+9
|
+10
| |
Idade
|
54-56
|
57-59
|
60-62
|
63-64
|
65-67
|
68-70
|
71-73
|
74-76
|
77-78
|
79-81
|
82-84
|
PA s/TTO
|
95-106
|
107-118
|
119-130
|
131-143
|
144-155
|
156-167
|
168-180
|
181-192
|
193-204
|
205-216
| |
PA TTO
|
95-106
|
107-113
|
114-119
|
120-125
|
126-131
|
132-139
|
148-148
|
149-160
|
161-204
|
205-216
| |
Diabetes
|
Não
|
Sim
| |||||||||
Fumante
|
Não
|
Sim
| |||||||||
DCV
|
Não
|
Sim
| |||||||||
FA
|
Não
|
Sim
| |||||||||
HVE
|
Não
|
Sim
| |||||||||
PA s/TTO= Pressão arterial sistólica sem tratamento; PA TTO= Pressão arterial sobre tratamento; DCV= Doenças cardíaca vasculares; FA= Fibrilação atrial; HVE= Hipertrofia do ventrículo esquerdo.
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
Pontos
|
Chances em 10 anos %
|
1
|
1
|
11
|
8
|
21
|
43
|
2
|
1
|
12
|
9
|
22
|
50
|
3
|
2
|
13
|
11
|
23
|
57
|
4
|
2
|
14
|
13
|
24
|
64
|
5
|
2
|
15
|
16
|
25
|
71
|
6
|
3
|
16
|
19
|
26
|
78
|
7
|
4
|
17
|
23
|
27
|
84
|
8
|
4
|
18
|
27
| ||
9
|
5
|
19
|
32
| ||
10
|
6
|
20
|
37
|
Agora vamos exemplificar para facilitar o aprendizado:
Homem, 77 anos (7 pontos), pressão sistólica de 152 mmHg (5 pontos), diabético (3 pontos), fumante (3 pontos), tem Fibrilação atrial (4 pontos), totalizando 22 pontos. Em seguida buscamos os 22 pontos na tabela que contem os escores para o sexo masculino, 22 pontos é igual a 47% de chances de sofrer um AVE em dez anos. Indivíduos que apresentam uma possibilidade superior a 10% de terem um AVE já são considerados de alto risco.
Este instrumento é ótimo para profissionais de saúde que trabalham em unidades básicas de saúde e realizam o rastreamento de pessoas com potenciais a sofrerem doenças. O problema do instrumento é que não sabemos os parâmetros adaptados para a população brasileira, por isso, fazem-se necessários mais estudos epidemiológicos para poder definir o perfil do indivíduo que sofre AVE no Brasil. Contudo, é um ótimo instrumento de rastreamento. No caderno de atenção primária sobre rastreamento, o Ministério da Saúde considera os parâmetros de Framimgham para o rastreio de risco cardiovascular.
Obrigado e espero que lhe tenha sido útil."
Em livro que será lançado em breve, mostraremos com mais detalhes como realizar esta metodologia e como seriam as ações de prevenção e manejo de prevenção secundária.
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