A formação profissional em atenção primária à saúde (APS) no Brasil consiste num foco alicerçante, pois o nosso sistema de saúde iniciou uma reorientação do processo de cuidado, ainda na década de 90, com base em serviços comunitários e vertente na promoção da saúde, na prevenção de doenças e na manutenção e recuperação da saúde. Todavia, até o momento, temos dificuldades na construção de habilidade e competências para o trabalho neste nível de atenção.
No concernente a formação em Fisioterapia, provavelmente temos mais dificuldades do que as outras profissões de saúde de primeiro contato. Nesta postagem farei exposição de algumas delas, muitas baseadas em minha experiência docente e de pesquisa. Isso não significa que são as únicas e nem que são pontos de vista completamente corretos.
Acho que podemos dividir os fatores que dificultam o interesse do graduando em Fisioterapia na atuação no nível da APS em domínio mercadológicos e de formação. Quando me refiro aos aspectos mercadológicos, remeto às oportunidades de trabalho que hoje dentro dos estabelecimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) são a Estratégia Saúde da Família (eSF) e o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF).
![]() |
| A. Grupo de acompanhamento para prevenção de osteoporose, AVC, hipertensão arterial com abordagem de terapia física. B. Educação ambiental com escolares. |
![]() |
![]() |
| Rastreamento do risco de progressão da escoliose em escolares. |
No caso da eSF, não fazemos parte integrante da equipe mínima e assim não conseguimos ter a mesma capilaridade na população que esta estratégia tem e desenvolver nossas competências, pois depende-se da sensibilidade e arrojo do gestor municipal em visualizar um quadro hegemônico de condições crônicas de saúde e entender que tais condições levam sempre à declínio da funcionalidade individual e coletiva, e que também podem ser prevenidas através de abordagens físicas e comportamentais. É nessas ações que o sistema de saúde reduz o impacto econômico das doenças crônicas.
Quanto ao NASF, constituímos o corpo profissional da equipe, mas estes existem em menor quantidade nos municípios, pois sua função principal é o apoio às equipes da eSF e muitos municípios não possuem este programa devido à limitações dos critérios para sua existência. Um fator interessantes a se acrescentar, é comum identificar a assistência fisioterapêutica no NASF concentrada nas ações de reabilitação devido à deficiência do sistema local de nível secundário como ambulatório e centros de reabilitação. É compreensível este desvio de função em virtude da imensa carga de indivíduos com limitações funcionais e restrições incapacitantes.
Além disso, soma-se a baixa valorização salarial e escassos planos de carreiras para desempenho e qualificação nos sistemas locais de saúde. Observamos grande rotatividade dos profissionais das equipes de eSF e NASF, principalmente em pequenas cidades onde é praticamente inexistente a realização concurso que possibilitem a estabilidade profissional.
Quanto ao NASF, constituímos o corpo profissional da equipe, mas estes existem em menor quantidade nos municípios, pois sua função principal é o apoio às equipes da eSF e muitos municípios não possuem este programa devido à limitações dos critérios para sua existência. Um fator interessantes a se acrescentar, é comum identificar a assistência fisioterapêutica no NASF concentrada nas ações de reabilitação devido à deficiência do sistema local de nível secundário como ambulatório e centros de reabilitação. É compreensível este desvio de função em virtude da imensa carga de indivíduos com limitações funcionais e restrições incapacitantes.
Além disso, soma-se a baixa valorização salarial e escassos planos de carreiras para desempenho e qualificação nos sistemas locais de saúde. Observamos grande rotatividade dos profissionais das equipes de eSF e NASF, principalmente em pequenas cidades onde é praticamente inexistente a realização concurso que possibilitem a estabilidade profissional.
Acredito que esses entraves no serviço público somente são resolvidos através de um controle social muito forte, como em situações institucionalizadas nos conselhos e conferências de saúde e na escolha dos representantes do legislativo e executivo nos três níveis de gestão. Ou no controle social não institucional realizado pelo cidadão e representado nas situações do cotidiano como exigir pontualidade e assiduidade dos profissionais de saúde, fiscalizar a atuação dos gestores da saúdee os gastos públicos, discutir com amigos e comunidade estratégias de solução de problemas e outros. Sei que este tipo de comportamento não é fácil de adotar, precisa-se de muita obstinação.
É preciso ressaltar também algo que muitos esquecem sobre o trabalho na APS. Apesar do grande foco que o sistema público tenta imprimir as suas estratégias, o setor privado de saúde, também pode ser cenário para cuidados primários de prevenção de doenças e da promoção de saúde. Todavia, isto não é hábito não somente do fisioterapeuta.
Fisioterapeutas em seus consultórios, clínicas e no atendimento domiciliar podem desenvolver ações preventivas da mesma forma que aqueles que trabalham na eSF e NASF, sendo o alvo muito mais individual que coletivo, o que não retira o mérito ou a importâncias das ações. Por exemplo, fisioterapeutas que assistem gestantes podem estimar o risco de diabetes gestacional e elaborar um programa de terapia física e de mudança de comportamento para redução do risco; fisioterapeutas atuantes no cuidado de idosos podem estratificar a gravidade de alguma doença crônica e produzir um acompanhamento longitudinal baseado em supervisão e autocuidado; fisioterapeutas esportivos, além de reabilitar, podem identificar atletas que apresentam indicadores biomecânicos ou comportamentais para lesões do gestual esportivo e assim propor meios de se evitar a lesão ou sua recorrência. Incrementa-se também a possibilidade de colaborar para a mudança de hábitos prejudiciais como sedentarismo, tabagismo, qualidade do sono e hábitos alimentares como estratégias de promoção da saúde.
A prática de atenção primária não se limita aos serviços e estabelecimentos do SUS, apesar deste enfoque ser o mais importante por atuar, não apenas no indivíduo, como nos determinantes de saúde contextuais na ocorrência de eventos de saúde como ambientes coletivos saudáveis, vigilância em saúde e legislação de políticas saudáveis, por exemplo. Há países com sistemas de saúde universais onde a atenção primária não é de base comunitário e territorializado como o nosso, mas sim focalizado nas procura espontânea como Canadá e Inglaterra.
Em outra postagem trarei as barreiras e possíveis soluções na dimensão da formação.



Nenhum comentário:
Postar um comentário